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SPIDER-NOIR | ANALISE CRITICA

31 de jul.
4 min de leitura
Divulgação/Prime Video
Divulgação/Prime Video

— A série SPIDER-NOIR talvez seja a obra cinematográfica mais arriscada do personagem, trazendo pela primeira vez um protagonista que não é Peter Parker, além de alcoólatra e fumante. Somos ambientados na cidade de New York na década de 30, durante a Grande Depressão, uma crise econômica que afeta todas as classes sociais e, claro, o nosso protagonista, que pouco consegue renda com seu trabalho de investigador particular. Ben Reilly já é apresentado aqui como um herói aposentado, o 'Spider', alter ego que ele abandona após passar por alguns traumas pessoais, carregando o peso de não ter honrado o 'com grandes poderes vêm grandes responsabilidades' que foi passado a ele. Um protagonista que deixou de lado seu altruísmo e passa a agir quase que contra sua própria vontade. Desde Homem-Aranha 2, em 2004, essa é a primeira vez que vemos em live action uma versão do Homem-Aranha mais uma vez passando por crises existenciais sobre ser o Homem-Aranha, tentando se livrar de carregar essa responsabilidade forçada que foi colocada sobre si. Um problema que pode ser notado no início da série, principalmente em seus dois primeiros episódios, é a pressa para se apresentar toda a trama e os personagens.


O plot da série já é apresentado logo nos primeiros minutos, antes mesmo de termos nos ambientado direito naquele universo e naqueles personagens, e, a princípio, isso pode passar uma má impressão da obra. Mas... isso muda entre o segundo e terceiro episódio. Logo após sermos introduzidos rapidamente a esse universo, a direção da trama adota uma roupagem diferente e entra de cabeça no noir. É uma série de suspense policial. O ritmo, que era apressado, passa a ser melhor cadenciado quando a trama dá o primeiro passo para se desenrolar.


Os personagens, que até aqui pareciam parcialmente superficiais, passam a ganhar profundidade e, a cada minuto do episódio, entramos cada vez mais naquilo que a série se propõe: desenvolver a curiosidade do telespectador conforme a investigação dos crimes que criam a base da história começa a se desenvolver, e a série se torna algo incrível de assistir, conseguindo desenvolver a história que cerca toda a trama e os personagens que cerca toda a trama ao mesmo tempo, coisa básica, mas na qual muitas séries se perdem durante o caminho. A principal deficiência que sinto aqui é a pressa no desenvolvimento da relação amorosa entre Ben Reilly e Cat Hardy (Li Jun Li). Porém, longe de ser um problema que prejudique a nossa série. O carisma de Nicolas Cage e Li Jun Li dão conta suficiente de sustentar essa relação, sendo um casal que apresenta, sim, alguma química, mesmo que um pouco limitada pelo enredo da série.


O casting e os personagens talvez sejam o ponto mais forte aqui. Elenco simplesmente impecável, desde o protagonista interpretado por Nicolas Cage até os mais secundários. Robbie Robertson (Lamorne Morris) tem um papel fundamental como repórter investigativo, e a secretária Janet Ruiz (Karen Rodriguez) é uma das mais divertidas e carismáticas da série, sendo muito mais do que um simples alívio cômico. Os vilões Homem-Areia (Jack Huston) e Lápide (Abraham Popolla) podem nos enganar a princípio, aparentando ser apenas 'vilões capangas', mas essa percepção muda no decorrer do desenvolvimento do enredo e somos cada vez mais cativados pelo lado humano desses antagonistas. Talvez o ponto mais fraco seja a presença do Megawatt, que muitos podem confundir com o Electro mas se trata de um vilão original de 1993, que talvez seja exageramente caricato no contexto da série e isso pode ser um incomodo para alguns. A atuação de Brendan Gleeson como Cabelo de Prata é simplesmente sensacional, trazendo o clássico vilão mafioso que comanda o submundo de uma cidade decaída. A ambientação da série é simplesmente incrível, e precisamos destacar muito o trabalho de Darran Tiernan e Alan Young, respectivamente diretor de fotografia e designer de produção.



A série bebe da melhor fonte dos filmes noir da década de 40, trazendo claras inspirações visuais de obras incríveis como Relíquia Macabra (1941), Pacto de Sangue (1944) e Laura (1944), recomendações que deixo aqui para quem queira consumir e entender melhor o que foi o cinema noir. E qual a melhor versão? Aquela que mais te agradar... E, se você não está acostumado a assistir em preto e branco, recomendo que dê uma chance, pois a ambientação da série muda totalmente de tom só por essa simples mudança. Mas também assistam a cores, a série possui uma fotografia linda e colorida que funciona tão bem quanto a sua alternativa. 'SPIDER-NOIR' é uma série espetacular do Homem-Aranha, sendo uma das melhores e mais originais produções que envolvem o Homem-Aranha, e, sendo um universo isolado, a série apresenta um enorme potencial para o futuro. É notável o carinho de todos os produtores e do elenco por essa série. Um ambiente sério, sombrio, mas cômico quando necessário. Nicolas Cage, que foi um casting para o qual alguns torceram o nariz no começo, foi a melhor escolha possível para uma versão adulta, alcoólatra, fumante e até mesmo depressiva do personagem, algo que não víamos há certo tempo. É uma série extremamente original e necessária em uma época em que as obras de super-heróis apresentam uma saturação e falta de originalidade. No mais, assistam SPIDER-NOIR.


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